Pular para o conteúdo principal

Entrevista do Mês: Ingrid Bettancourt

Como a sra. se sentiu diante desse acordo?
Não foi uma surpresa, já que nos últimos meses já me preparava para isso. Mas, claro, uma vez consolidado, foi uma enorme emoção. No fundo, esse é o acordo que devolve à Colômbia a capacidade de sonhar. É a esperança que volta. 
Por que essa negociação não fracassou, diferentemente das anteriores?
Foi uma conjuntura muito específica e uma sequência de eventos. Primeiro, tivemos o fortalecimento das Forças Armadas na Colômbia. Não apenas militar, mas moralmente. Ela mudou o trato com a população. (Os militares) deixaram de ser inimigos de parte da população para ser seus protetores. Ao mesmo tempo, nas Farc, vimos sérias derrotas, com mortes de líderes. 
A sra. foi uma das vítimas dessa guerra. Qual é o desafio desse acordo em garantir a Justiça para quem sofreu?
Nunca haverá Justiça individual para nós. Existem três fatores nesse desafio de Justiça nesse acordo. O primeiro é o da Justiça moral. A obrigação de dizer a verdade, como no caso do governo ao limpar as mãos de sua responsabilidade no meu caso. Há também a Justiça social, ou seja, a sociedade entender o sofrimento das vítimas. Isso não será atingido facilmente. Na Colômbia, as vítimas são ainda vistas como culpadas pelo que ocorreu com elas. A legitimidade da dor é ainda difícil. Há uma indiferença em relação às vítimas. O terceiro aspecto é a recuperação física. Para uma vítima, a guerra acaba com uma vida. 
Mas, então, o acordo significa que a impunidade venceu?
Não. Nesse acordo, não há justiça individual. Mas não há impunidade. São dois aspectos diferentes. Eu, como vítima, faço esse sacrifício, pois entendo que é muito importante um acordo de paz para os colombianos. Todos estamos dispostos a virar a página, com a condição de que haja a paz. Mesmo sem essa Justiça individual, os chefes que cometeram crimes de guerra vão pagar por isso. Pode-se debater se as penas serão severas ou não. Mas não haverá impunidade. 
Qual será o maior desafio para que o acordo prospere?
As regras vão mudar para a sociedade e ela terá de se adaptar. Forças militares, que eram as inimigas da guerrilha, hoje terão de garantir a segurança daquelas pessoas. Trata-se de uma mudança de mentalidade e de como a sociedade vai se relacionar com eles. O Estado terá de construir alternativas para os guerrilheiros, que vão querer entrar na sociedade. 
Como?
Oferecendo trabalho, educação e uma remuneração que seja igual ou superior à que eles tinham na guerra. Isso envolverá mecanismos de estímulo e empresários dando exemplos. 
Qual será o maior desafio para a guerrilha?
Não cair nos mesmos erros da sociedade que ela criticava, ou seja, a corrupção. Uma das justificativas da guerrilha era de que lutava contra a corrupção dos grupos no poder. Agora, essa guerrilha vai precisar ser a força transformadora e uma força política que seja exemplo de limpeza. Nos últimos 20 anos, a onda na América Latina de governos da esquerda democrática foi muito importante. Ela foi fundamental para o amadurecimento democrático na região. Hoje, essas sociedades estão cobrando justamente esses governos pela corrupção. É uma transformação profunda. 
O Brasil teve um papel importante na questão das Farc?
Sim, foi uma relação importante. Talvez não como a da Venezuela, que era óbvia. Mas os vizinhos da Colômbia, por não quererem que o conflito entrasse em seus territórios, trataram de não ser afetados. Mas, ao se declarar neutros, foram permissivos com os guerrilheiros. Em diversas ocasiões, a diplomacia colombiana foi obrigada a tratar desse assunto com os vizinhos. Mas isso é parte do passado.
E quais são seus planos? Pensa em voltar à Colômbia para se candidatar a algum cargo?
Eu queria um tempo para pensar. Esses acontecimentos estão muito ligados à minha vida pessoal. Isso vai exigir que eu reflita, inclusive com meus filhos. Mas eu não queria fechar as portas. Quando deixei a Colômbia, depois de ser liberada, disse que não voltaria à política. Hoje, não quero dizer não. 
O acordo de paz foi uma segunda libertação?
Não diria uma segunda libertação. Mas foi chegar ao sossego. Chegar ao oásis. 
A paz leva a sra. a reavaliar algum momento do cativeiro?
O passado não se reescreve. Talvez eu pense alguma coisa de forma diferente. Mas o importante é que vai haver Justiça para a sociedade.

Comentários

Postagens Mais Lidas

Chave de Ativação do Nero 8

1K22-0867-0795-66M4-5754-6929-64KM 4C01-K0A2-98M1-25M9-KC67-E276-63K5 EC06-206A-99K5-2527-940M-3227-K7XK 9C00-E0A2-98K1-294K-06XC-MX2C-X988 4C04-5032-9953-2A16-09E3-KC8M-5C80 EC05-E087-9964-2703-05E2-88XA-51EE Elas devem ser inseridas da seguinte maneira: 1 Abra o control center (Inicial/Programas/Nero 8/Nero Toolkit/Nero controlcenter) nunca deixe ele atualizar nada!  2 Clic em: Licença  3 Clica na licença que já esta lá dentro e em remover  4 Clica em adcionar  5 Copie e cole a primeira licença que postei acima e repita com as outras 5

Papel de Parede 4K

O TAO DO SEXO

Conta-se que, ao distribuir as características que distinguiriam os homens das mulheres (e vice-versa), Deus teria perguntado: "Tenho aqui duas qualidades sensacionais. Quem gostaria, por exemplo, de fazer xixi em pé?" Os homens gritaram em uníssono: "Eu, eu, eu!" O Criador concordou, sorrindo, e disse: "Tudo bem, então. As mulheres ficam com os orgasmos múltiplos..." Essa piada engraçadinha resume o que todo mundo acha que sabe que orgasmo múltiplo é coisa para mulher e o prazer fulminante (seis segundos, no máximo) é característica do homem. E se não for assim? E se o homem for capaz de ter vários orgasmos em um mesmo encontro, mantendo durante horas seu pênis ereto? Pois bem, isso é possível, sim. Essa verdadeira pepita de ouro do prazer sensual é conhecida por poucos felizardos no Ocidente, mas faz parte da sabedoria do Oriente e lá é praticada por milhões de pessoas. Nós é que, nesses assuntos, parece que sempre pegamos o bonde andando. Fiz uma rápida...

Luto! (25/12/1944 - 17/10/2022)

 

Senador articula para livrar Youtube e TikTok de pagar imposto previsto no PL dos Streamings

  A Comissão de Assuntos Econômicos do   Senado   pode votar na semana que vem, em segundo turno, um projeto de lei que regulamenta serviços como   Netflix ,   Now ,   TikTok   e   Youtube   e obriga plataformas de streaming a pagar a   Condecine   (Contribuição para o Desenvolvimento da Indústria Cinematográfica Nacional). Se for aprovado pelo colegiado, o texto vai direto para a Câmara, sem passar pelo plenário do Senado, pois trata-se de uma proposta terminativa. O projeto já foi aprovado por 24 votos a 0, em primeiro turno , em 22 de novembro. Agora, precisa ser votado outra vez no colegiado. O relator do  PL 2.331/2022 , senador  Eduardo Gomes  (PL-TO), disse ao  Estadão  que está fazendo “ajustes de texto” para que não haja “brechas” para “interpretações” na nova legislação. O texto aprovado em primeiro turno prevê uma cobrança anual da Condecine, com uma alíquota máxima de 3% da receita bruta das plat...

Spotify anuncia demissão de 1.500 funcionários

  O Spotify anunciou nesta segunda-feira (10) que irá demitir cerca de 1.500 funcionários, ou 17% de sua força de trabalho, para cortar gastos da empresa. Demissão em massa é a terceira realizada pelo streaming de música este ano.  O que você precisa saber:  O Spotify demitiu 600 funcionários em janeiro e mais 200 em junho;  De acordo com a Reuters, a nova rodada de demissão foi anunciada em carta enviada aos funcionários pelo CEO do Spotify, Daniel Ek;  Originalmente, o plano era realizar cortes menores ao longo de 2024 e 2025, mas os objetivos financeiros exigiram medidas mais rápidas;  Até então, o Spotify tinha cerca de 9.000 funcionários; Uma nova onda de cortes em massa no setor  tech  parece estar se iniciando, já que algumas empresas começaram a reduzir novamente sua força de trabalho — também é o caso da Amazon e LinkedIn (Microsoft).  Leia mais!  À Reuters, Ek disse ter consciência de que a redução pare...