quarta-feira, 6 de julho de 2016

Condominio Village


segunda-feira, 4 de julho de 2016

Entrevista da Semana: Mounira Latrache

DW: Há filiais do Youtube Space em nove países, em metrópoles como Tóquio, Nova York, São Paulo, Toronto e Mumbai. O que é, exatamente, um Youtube Space?
Mounira Latrache: O Youtube Space é um trampolim para futuros youtubers aprenderem coisas novas. Nós oferecemos seminários, por exemplo, sobre como pode ser fácil e rentável produzir vídeos e, também, quais são os fatores de sucesso mais comuns no Youtube. Mostramos aos participantes como desenvolver uma estratégia para seu canal e os ajudamos na produção dos vídeos. No Space é possível alugar estúdios de gravação; especialistas em produção auxiliam os interessados a iluminarem uma sala ou alinhar a câmera corretamente. O Youtube Space é também um local para youtubers se encontrarem e fazerem novos contatos.
Vocês guiam os youtubers para o sucesso, ensinando o que é bem aceito pelos usuários?
Nós tentamos justamente não fazer isso, mas sim ajudar os youtubers a colocarem suas próprias ideias em prática. Nos últimos anos, descobrimos que o segredo do sucesso é bem esse, pois em geral os jovens têm boas ideias, e sabem o que realmente funciona e o que a própria comunidade, os fãs e os amigos querem. Cada canal tem também um público único, que deve ser atendido de forma diferente.
Então vocês não dizem, por exemplo, que prunks (trotes) ou challenges (desafios) ou jogos de perguntas do gênero "Você prefere fazer isso ou aquilo?" estão na moda, e que seria bom fazer algo neste sentido?
Não, a gente não faz isso. Novas tendências também surgem quando eles experimentam novas coisas, que ninguém antes pensava ser possível, e que funcionam. Um bom exemplo é o unboxing. Quem diria que ia virar sucesso um vídeo em que alguém desempacota produtos comprados na frente da câmera? É algo que não dá para prever - e é bom que seja assim e continue.
Todos os termos da linguagem dos youtubers são em inglês. Muitas ideias vêm dos Estados Unidos? Ou há coisas específicas da cena youtuber alemã?
O bom é que em cada nação há uma comunidade própria, também com traços nacionais muito específicos. E a Alemanha tem uma comunidade muito especial. Aqui, por exemplo, tudo é muito conectado, o que não ocorre em todo país. Os youtubers da Alemanha têm conexões firmes entre si, há muitas atividades conjuntas das comunidades, como por exemplo, turnês com a "gang" [youtubers que gravam vídeos juntos e divulgam mutuamente seus links]. Mas, claro, algumas tendências vêm de outros países e também influenciam a Alemanha.
Há também tendências que surgiram na Alemanha?
Sim, por exemplo o youtuber LeFloid com seu formato de notícias. Ele realmente influenciou muitos novos canais que exploram formatos semelhantes, pois tem uma maneira bem diferente de falar sobre as notícias. No início as pessoas disseram que não ia funcionar e que não era muito fundamentado jornalisticamente. Mas assim ele realmente alcança um público-alvo.
A ideia é: "Eu digo para vocês o que me incomoda, nós discutimos, e então vocês me dizem o que não acham bom." Esse é um formato que muitos imitaram. E LeFloid aproveita também os comentários da comunidade e os incorpora em seu próximo vídeo, de modo que a inspiração é mútua.
Ao introduzir o Youtube aos jovens no Youtube Space, você também assume uma responsabilidade em relação a eles? Afinal, as pessoas nem sempre são avaliadas positivamente com um "like", há também críticas fortes em alguns comentários...
É verdade. A comunidade é muito sincera, e às vezes também atinge duramente com as suas críticas. Nós estamos sempre discutindo isso com os youtubers. Em parte é bem dura essa escola por que eles têm que passar. Há muitos anos nós também fazemos uma campanha anti-bullying, dizendo: sejam respeitosos, também online o bullying não é legal.
Claro que os youtubers podem excluir os comentários de seu canal. Mas nós vemos que eles lidam de forma muito aberta com as críticas. Eles dizem, na verdade: "Eu quero que tudo fique do jeito que está", e em geral a própria comunidade dá conta da situação. Aí os fãs dizem, para os comentários de ódio: "Afinal, o que é que você está querendo aqui?"
Isso também apoia a nossa campanha: se todos dissermos "isso não está certo", então as pessoas não vão ter coragem de continuar o assédio. Essa dinâmica mostra que é possível se contrapor ao bullying.
Por outro lado, nós também trabalhamos com as escolas, realizamos oficinas para treinar a competência midiática. Os pais e professores também devem falar abertamente com os jovens sobre como lidar com bullying, ou o que implica se dizerem coisas ofensivas online. Isso é importante, para que os estudantes tenham consciência do alcance de uma ofensa pública. Acho que o mais importante é haver um debate aberto sobre o tema.

quinta-feira, 30 de junho de 2016

Entrevista do Dia: Jean-Pascal Gayant

Na história dos jogos modernos, há casos de sucessos e outros nem tanto. Barcelona, por exemplo, mudou sua imagem para sempre. Atlanta, não. Atenas endividou o país. Como o senhor vê os jogos do Rio de Janeiro?
Pequemos o exemplo de Atenas, que 12 anos depois enfrenta uma situação muito degradada. A economia grega entrou pouco tempo depois dos jogos em uma fase de recessão terrível e hoje o que vemos na capital são estruturas que estão se degradando, sem uso. Temo que o Rio enfrente os mesmos problemas, e que os equipamentos que foram construídos para os Jogos Olímpicos de 2016 sejam muito pouco utilizados. A questão que teremos de analisar mais tarde é se a situação econômica difícil que o Brasil atravessa hoje vai permanecer, e sobre se teremos de atribuir uma parte aos Jogos Olímpicos ou, ao contrário, o país retomará o crescimento e os jogos serão vistos como uma Olimpíada que foi apropriada.
Mas qual será o sentimento que ficará nos espíritos dos brasileiros sobre a “herança”?
Se a economia for bem, talvez tenhamos uma sensação de boa “herança”. Se ela continuar por dois, três ou quatro anos em condições de dificuldade maior, talvez os jogos fiquem na memória como uma forma de sucesso esportivo, mas fracasso econômico.
O orçamento final dos jogos do Rio deve se aproximar de € 10 bilhões (R$ 38 bilhões). Isso é muito ou os brasileiros subestimaram os custos previstos de sediar os Jogos Olímpicos? É tão caro assim receber Jogos Olímpicos?
Quaisquer que sejam as estimativas prévias de orçamento, é difícil realizar jogos abaixo do total de € 10 ou € 12 bilhões. Foi esse o caso em Londres, foi muito mais em Pequim, onde as estimativas prévias eram de US$ 45 bilhões. Mas estamos diante de um evento cujos custos são muito difíceis de estimar. Eu estudei muito a candidatura dos jogos de 2024 em Paris, onde se estimou um orçamento de € 6 bilhões. Eu não creio nem por um instante que seja possível. Nos € 6 bilhões há € 3 bilhões de despesas de organização, e outros € 3 bilhões para a Vila Olímpica e para novas estruturas esportivas que ainda não existem. Simplesmente não é possível. Será preciso no mínimo 12 infraestruturas, 12 estádios de 10 mil a 15 mil lugares, que terão de ser construídos em Paris. Por € 3 bilhões não é possível construí-los. Há uma subestimativa prévia das despesas, porque pessoas que têm interesses de verem os jogos acontecerem têm interesse nessa subestimativa.
Cidades como Oslo, Estocolmo, Boston e Hamburgo optaram por não se candidatar aos Jogos em razão dos altos custos. A opinião pública de muitos países também é contrária. Os Jogos perderam sua magia e atratividade?
Houve uma tomada de consciência de que os custos são sempre muito importantes para resultados econômicos que no final das contas são relativamente modestos, ou nulos. É sintomático de que os Jogos Olímpicos sejam sempre defendidos por alguns atores sociais, como empreiteiras que realizam obras públicas, empresas de eventos e de comunicação e pelo movimento esportivo. Mas o custo é absorvido por todos, e quando todos são consultados há uma ponderação de custo-benefício que é mais desfavorável do que favorável.
Para enfrentar essa situação, o COI lançou a Agenda 21 com o objetivo de conter o gigantismo dos Jogos. Qual sua avaliação?
A Agenda 21 é uma boa iniciativa, ao abrir as portas para a candidatura de várias cidades ao mesmo tempo. É interessante também porque insiste sobre pontos como o controle de despesas, o impacto ambiental, sobre questões como respeito à livre opção sexual, por exemplo. Mas é preciso ler o documento como uma reação do COI à percepção muito negativa que ficou dos jogos de inverno realizados em Sotchi, na Rússia. Esses jogos foram um derrame de despesas, € 50 bilhões, com casos de corrupção múltiplos. O COI agora tenta fazer evoluir as bases de uma candidatura, mas o comitê poderia ter ido mais longe.
Como?
Alguns economistas que estudam a questão consideram que os jogos deveriam ser realizados sempre nas mesmas cidades, fazendo um circuito em três ou quatro cidades do mundo, para enfim rentabilizar as construções feitas para os Jogos Olímpicos. Outra hipótese seria imaginar candidaturas conjuntas de várias cidades.
O senhor acredita que os jogos de Tóquio 2020 e, eventualmente, em Paris 2024, já serão diferentes em termos de organização?
Em termos de custos, sabemos que não há muita margem de manobra. Ficaremos naquela fatura superior a € 6 bilhões, e isso sem contabilizar infraestruturas de transporte, por exemplo, que precisam ser construídas. O COI diz que essas despesas não devem mais ser contabilizadas, porque servirão a longo termo para a população das cidades. Bom, mesmo que não contabilizemos esses valores, não creio em € 6 bilhões, como disse. Acho que teremos jogos de no mínimo € 8 bilhões, provavelmente de € 10 bilhões. Então sejamos claros: € 10 bilhões é muito dinheiro para uma cidade como Atenas. E é caro mesmo para uma cidade como Paris, capital de um país que vive em déficit público. E, para o Rio, esses € 10 bilhões são uma carga muito pesada.
O Rio que já enfrenta essa crise...
Os melhores estudos sobre o tema mostram que os Jogos Olímpicos não são fator de crescimento econômico. Talvez os jogos sirvam para melhorar a autoestima de uma população ou de um país, ou sirvam como um grande projeto federativo. Mas não são um bom negócio. Não desejo que os jogos agravem a situação econômica do Rio, mas, se observarmos o que se passou em Atenas, devemos ficar preocupados. No passado, talvez tenhamos visto como algo muito positivo que o Brasil realizasse a Copa do Mundo de 2014 e os Jogos Olímpicos de 2016. Hoje talvez devamos ver os eventos como uma dupla pena do ponto de vista econômico.
Que legado o senhor vê para os Jogos do Rio?
O legado do Rio… É verdade que Barcelona valeu-se muito dos jogos para uma verdadeira renovação urbana. Barcelona passou da 11ª cidade turística da Europa à 5ª cidade, e de fato se tornou muito apreciada em todo o mundo. Essa foi uma herança positiva. Mas há poucas circunstâncias equivalentes até aqui. Los Angeles, Seul, Atlanta, Sidney, Pequim e até Londres não tiveram os mesmos resultados. Em Londres foi possível revitalizar uma região que estava degradada, mas o preço disso foi o aumento do custo do metro quadrado, que expulsou uma parte da população de baixa renda para lugares ainda mais distantes. Pelo que sei aconteceu o mesmo no Rio, onde para construir a infraestrutura dos jogos se destruiu um número xis de habitações precárias. Talvez haja uma renovação urbana, mas nem todos saíram ganhando. Pode ser que a renovação urbana do Rio tenha sido acelerada, que a cidade tenha passado por melhorias, mas nada que tenha beneficiado a todos. Não estou convencido de que em termos de coexistência urbana os jogos causem um impacto muito melhor do que os de Londres 2012. Em Barcelona foi muito positivo. No Rio, não é certo.

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