domingo, 30 de novembro de 2014

Solipsismo

Solipsismo
Solipsismo (do latim solu-, «só» +ipse, «mesmo» +-ismo.) é a concepção filosófica de que, além de nós, só existem as nossas experiências. O solipsismo é a consequência extrema de se acreditar que o conhecimento deve estar fundado em estados de experiência interiores e pessoais, não se conseguindo estabelecer uma relação direta entre esses estados e o conhecimento objetivo de algo para além deles. O solipsismo do momento presente estende este ceticismo aos nossos próprios estados passados, de tal modo que tudo o que resta é o eu presente.
A neoescolástica define solipsismo uma forma de idealismo, que incorreria no egoísmo pragmático, que insurge pós proposição cartesiana cogito, ergo sum; solipsismo é atribuída por Max Stirner como uma reação contra Hegel e sua acentuação do universal; o solipsismo somente tem por certo, inconteste, o ato de pensar e o próprio eu. Assim, tudo o mais pode ser contestado ou posto em dúvida.

sexta-feira, 28 de novembro de 2014

domingo, 23 de novembro de 2014

Reflexao Semanal

“Tornou-se chocantemente óbvio que a nossa tecnologia excedeu a nossa humanidade.” - Albert Einstein

sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Letras do Disco

1 SAMBA DO INFERNO
(Carlos Melo e Cassiano Roda)

Um belo dia depois do expediente Quando eu botava no cabide o meu terno
Tive um mal súbito, morri de repente. Indo parar nas profundezas do inferno
Passei no céu mas resolveram me barrar, Burocracia lá no céu é o que há
É que eu morri sem preencher regulamento que dá direito a residir no firmamento.

Levei cartão, ganhei status de banido, pois me levaram direto pro purgatório
E um anjo disse: faça um último pedido! Lhe perguntei: onde é que fica o mictório?
Fui sem escalas lá pros quintos dos infernos onde satã me fez assinar um caderno
E disse: nego tudo aqui é organizado, teve um rebu, agora tudo é estatizado.

Lá no inferno todo mundo come alcatra, só da ministro e presidente nação
Tá entupido de fãs de Frank Sinatra e de apresentadores de televisão.
Tem ruas largas onde até um jato pousa, a maior delas chama Anastácio Somoza
E adivinhem quem por lá comanda a plebe: é o Adolfinho com o Xá Reza Palevhi.

Lá no inferno as mulheres andam nuas, mostrando tudo até o fruto proibido
Mas seu satã ferra com a gente, senta a pua É que no inferno nenhum homem tem libido.
Ontem eu fugi pro paraíso com um sujeito que fez o mapa do inferno pelo jeito
Diz que é poeta e cheio dos guéri-guéri, seu nome acho que é Dante Alighieri...


 2 MARCINHA LIGOU
(De Ayrton Mugnaini e Laert Sarrumor)


Que felicidade, grande novidade
Marcinha ligou as trompas
Agora pode transar à vontade

Marcinha aprendeu a lição
Pelo caminho mais duro
Deixou um filho com a mãe
E resolveu pensar no futuro
Deu um toque para as amigas
Não basta discutir o aborto
É preciso já desde antes
A gente não bancar o afoito

Tabelas, Dius e o diabo
Ou mesmo a mancha no lençol
Sempre deram mais resultado
Do que a clínica do espanhol
Para Marcinha, no entanto
O amor não tem hora ou lugar
E pra fazer o que ela gosta tanto
É que resolveu mesmo é ligar


   
3 INTERROMPER
(Laert Sarrumor)
Pergunte ao céu
Ele há de lhe explicar
Há momentos em que é preciso,
é preciso, é preciso errar
Momentos rápidos, súbitos, mágicos
De extrema precisão
Momentos mórbidos, sórdidos,
tétricos, trágicos
Sua vida em minhas mãos
E no entanto ela se esvai
Escorrendo se desfaz
O momento é preciso,
é preciso, é preciso
O instrumento é inciso,
é inciso, é inciso
Meu filho eu preciso,
eu preciso, eu preciso
Meu filho eu preciso lhe matar
Entenda, esse mundo
Não pode lhe abrigar
Talvez assim você possa
então me amar
Por não sofrer,
por não viver,
por não viver,
por não viver jamais
Não, não, não, não há lugar
 4 BALADA CIBERNÉTICA
(Carlos Melo e Cassiano Roda)
Você jogou fora o que era seu
Cuspiu no prato em que comeu
Seu proceder não foi sério
Me trocou por alguém eficiente
até mesmo mais potente
perpetrou-se o adultério
E eu fiz vista grossa, meu amor
mas bem sei que você me trai
com um microcomputador
Vi você com ele em
nossa cama
disputando videogame
e fliperama
mas previna a este fruto
da Ciência deturpada
que amanhã vou
arranca-lo da tomada
De tudo ao meu computador serei atenta
Antes, e com tal zelo, e sempre e de modo tão terno
Que mesmo diante de um modelo mais moderno
Dele serei sempre a tiete mais sedenta
Quero vivê-lo em cada vão momento
E em seu louvor hei de pagar as contas da Light
Que alimenta os seus megabytes
Sem nenhum pesar ou descontentamento
E assim, quando mais tarde, num outro dia
Quem sabe a assistência técnica,
Angústia de quem vive,
Pedir pelo seu concerto uns 800 paus
Eu possa dizer do computador (que tive)
Que não seja imortal posto que é fabricado em Manaus
Mas que seja infinito enquanto dure a garantia.

   
5 O HOMEM DA MINHA VIDA
(Ayrton Mugnaini)
Como é bom ser livre pra voar
E conhecer o amor e seus mistérios
Mas você não tinha que casar
Teu único jeito agora é o adultério
Não fui assistir teu casamento
Porque o centro de atenção ia mudar
Não quis estragar esse momento
Não fui pra ninguém me ver chorar
Hoje no meu título de eleitor
Está escrito lá que eu sou solteiro
Mas isso é mentira, meu amor
Só penso em você o tempo inteiro
A paixão e o desejo me consomem
Você também se sente consumida
Mulher de amigo meu pra mim é homem
Por isso você é o homem da minha vida
Você mudou seu título de eleitor
Ganhou o sobrenome do marido
Porém está me confessando agora
Que tem um segredo escondido
Foi tudo um fracasso na verdade
Porque você com ele não encaixa
Ele exige alta fidelidade
Porém a impedância dele é baixa
Por isso eu fiquei maravilhado
Quando você nessa vida
Deu um basta
Seguindo o velho ditado
"Burro amarrado também pasta"
 6 A RAINHA DO KARAOKÊ
(Carlos Melo e João Lucas)
De segunda a sexta-feira
é aquela trabalheira mortal
pra pagar as minhas contas
segurar todas as pontas e o escambau
Mas quando chega o domingo
podem crer que eu me vingo
na mesma dose
No cabelo eu ponho um gliter
um vestido das lojas Piter
e aí vem a metamorfose
Subo no palco trajando um soirée
e todos gritam "chegou a rainha do karaokê"
Então meu coração voa
fico feito Kracatoa, me esguelo
Disse uma vez um bookmaker
"tu pões Josephine Baker no chinelo"
Depois do aplauso meio afônica
bebo mais um gin tônica
estou tão contente
que quase esqueço de uma vez
que já são 15 para as 3
e amanhã tenho batente.


   
7 USE
(Laert Sarrumor)
Use,use
Sua massa cinzenta
Use mais, mais e mais

Pense,pense
Não faz mal
Seja menos
Débil mental


 8 EU AMO ESSE HOMEM
(Ayrton Mugnaini Jr. e Wilson Rocha)
Eu amo esse homem
Deus sabe como o quê
Me deu casa e comida
E uma estrela do PT
Eu gostei tanto dele
Ter me dado a estrelinha
Não sei pra quê que serve
Mas achei tão bonitinha
Cedinho vai pra escola
Estuda engenharia
Mas quando chega à tarde
A roupa tá passadinha
O assoalho está brilhando
E a comida está na mesa
Eu amo esse homem
Disso eu tenho certeza
Eu amo ele tanto
Nem posso acreditar
Ele me quer tanto bem
Nem me deixa trabalhar
Me dá tantos perfumes
E roupa decotada
Que eu só posso usar
Dentro da casa fechada

   
9 GRITO
(Laert Sarrumor)
Nós somos uma geração sufocada
Nós somos uma geração revoltada
Nós não nos conformamos com os mandos
E desmandos do governo

O governo quer poder
O governo quer poder
O governo quer poder, o governo quer foder
Com todos nós ao mesmo tempo

 10 OU NÃO
(Laert Sarrumor)
Fumar ou não, essa não é a questão
O assunto não se resume apenas em que não se fume
Mas em se poder ou não
Poder ou não, poder ou não
O poder é a questão

A canção assim já dizia, em meio a tanta gritaria
Que é proibido proibir
Proféticas palavras, de quem na época clamava
Sabendo que se o mal existe
Todo ele em si consiste
Justo na proibição (fumar ou não)

   
11 No "&tgrmfhz232pixh", prrRZT
(Ayrton Mugnaini Jr.)

Como é que é o negócio?
  HITLER - Foi tudo exagero da Imprensa
(Carlos Melo e Cassiano Roda)
Hitler, Hitler vem a público se explicar
Já que a Segunda Guerra acabou
Ele pretende se explicar:
"Tenho complexo de rejeição
e nunca fui muito bem dotado
fiz tudo pra chamar atenção
até conseguir ser notado
Quando era criança apanhei
e com barba e bigode depois
foi por isso que em Londres joguei
quinze mil e seiscentos V2"
Hitler, Hitler, Hitler sempre foi um sujeito batuta.
Pena que com a Europa ele foi tão indiferente
"Nosso Reich ia pela janela
se existisse o Roberto Marinho
todo mundo ia ver a novela
em vez de dedurar o vizinho
Mas nem tudo foram desenganos
ajudamos a tecnologia
transformando um milhão de ciganos
em desentupidores de pia"
Hitler, Hitler, Hitler não queria ser detestável
"Acontece que eu descobri que judeu era inflamável"
Hitler, Hitler, Hitler não queria ser tão horrível
"acontece que eu descobri
que hebreu era bom combustível
Vou contar um segredo a você
Nunca tive espírito de equipe
na verdade eu sempre quis ser
um bom ator de vídeoclip
Mas agora moro no Brasil
meu emprego você nem imagina
eu sou sócio desde que abriu
do Crematório da Vila Alpina."
Reagan, Reagan, Reagan...

   
  Ficha Técnica

Gravado em 24 canais no estúdio SIGLA, em abril e maio de 1986. Capa e encarte: Criação e produção Cassiano Roda. Arte final: Fátima Rossini. Fotos: Vânia Toledo.
Produção das fotos: Cida Ayres. Modelo da Contracapa: Shirley Costa
PRODUÇÃO: MARIOZINHO MENESCAU MAZZOLA ( Liminha )
Direção artística: Helio Eduardo Costa Manso – Direção de estúdio: Serginho Leite e Luiz Henrique Romagnoli – Engenheiro de gravação e mixagem: Carlos “Cacá Lima” – Auxiliares de estúdio: Paulo João e Herliton – Arregimentação de músicos: Grimaldi – Assistência geral: Cida Ayres – Edição: Paulo João.
PARTICIPAÇÕES:
ABREU – bateria eletrônica ( em “USE” )
MARCOS A PONTES (CAIXOTE) – teclado ( em “MARCINHA LIGOU”)
ALEX AMBACK – DX7( em “DAS PROFUNDEZAS”, “BALADA CIBERNÉTICA”, “A RAINHA DO KARAOKÊ”); piano Yamaha
( em “DAS PROFUNDEZAS” )
JOÃO DA PARAÍBA – percussão ( em “DAS PROFUNDEZAS”, A RAINHA DO KARAOKÊ”, e “USE” )
METAIS – ( em “DAS PROFUNDEZAS” ):
AZEVEDO – trombone
TENISSON – piston
GIL – piston
MANOEL – piston
CARLOS ALBERTO - sax tenor
CACÁ – sax tenor
PROVETA – sax alto
MAURÍCIO – sax alto
UBALDO – sax barítono
CORDAS ( em “INTERROMPER” )
GERMANO – violino
ELIAS SLON – violino ( spalla )
MICHEL – viola
PAULO TACCETTI – cello
MÁRIO SÉRGIO – trompa ( em “MARCINHA LIGOU” )
JÔ FERRAZ - recitativo do soneto da eletricidade ( “BALADA CIBERNÉTICA )
LUIZ H. ROMAGNOLI – locução ( em “DAS PROFUNDEZAS” )
SERGINHO LEITE – o “Nersão” da “BALADA CIBERNÉTICA” o
“Sírvio” DAS PROFUNDEZAS e coro em “HITLER” e “MARCINHA LIGOU”
OS PAULISTAS – conjunto vocal em “DAS PROFUNDEZAS”
( Maria e João )
TONINHO CARRASQUEIRA – flauta ( em “OU NÃO” )
VINHETAS:
VINHETA “como é que é o negócio?” – órgão: Wagner AMOROSINI ( Batata ); violão, baixo, bateria: AYRTON; voz: ZÉ ANTONIO CONSTANTINO.
VINHETA INCIDENTAL – “TOQUINHO” ( em “BALADA CIBERNÉTICA ) – voz: S. Leite e João; na timba: João da Paraíba; na tumba: Vinícius de Moraes.
Criação e produção da capa e encarte: Cassiano Roda.



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