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Literatura Infantil

INTRODUÇÃO

Sob este termo encontram-se diferentes gêneros (ficção, poesia, biografia e história) e manifestações literárias: fábulas, adivinhações, lendas, poemas e contos baseados na tradição oral. Aparece como forma independente da literatura na segunda metade do século XVIII e desenvolveu-se de forma espetacular no século XX.

O descobrimento do mundo antigo traz à tona numerosas fábulas da antigüidade e, junto com as traduções de Esopo, aparecem novos criadores como Jean de la Fontaine, autor das Fábulas (1688).

Charles Perrault publica na França seus Histórias ou contos do passado (1697), onde reúne alguns relatos populares. Subintitulados Contos de mamãe ganso, guardam a tradição de lendas celtas e histórias italianas. Pele de Asno, Pequeno Polegar, Gato de Botas, Cinderela e Chapeuzinho Vermelho aparecem nesta obra, introduzindo e consagrando “o mundo das fadas” na literatura infantil.

Mas as histórias que realmente triunfaram em toda Europa foram As mil e uma noites, que foram traduzidas para o francês em onze volumes entre 1704 e 1717. Em 1745, John Newbery abre a primeira livraria e editora para crianças, A Bíblia e o sol, e edita grande número de obras. Na Inglaterra, apareceram dois livros de grande transcendência: O Robinson Crusoé (1719) de Daniel Defoe e As viagens de Gulliver (1726) de Jonathan Swift.

Os filósofos e pensadores da época começam a pensar que a criança necessita sua própria literatura, é claro que com fins didáticos. Na Espanha, Tomás de Iriarte escreve suas Fábulas literárias (1782) e Félix María Samaniego publica suas Fábulas (1781).

SÉCULO XIX. DESCOBRIMENTO DA CRIANÇA

No começo do século XIX, Jacob e Wilhelm Grimm escreveram seus Contos de fadas para crianças (1812-1822), onde aparecem personagens que se tornariam famosos em todo o mundo.

Hans Christian Andersen foi o grande sucessor do trabalho dos irmãos Grimm. Seus contos gozaram de grande êxito com a mais alta qualidade literária. Mas a suprema combinação de fantasia e humor demonstrou Lewis Carrol em Alice no país das maravilhas (1865).

Oscar Wilde continuou a tradição dos contos de fadas com os livros que escreveu para os seus filhos, entre os quais se destaca The happy prince (O príncipe feliz), entre outros. Na segunda metade do século XIX, os grandes cultivadores deste gênero são Robert Louis Stevenson, Rudyard Kipling e Jules Verne.

Deste modo, o século XIX, que havia começado colocando ao alcance das crianças um mundo mágico, povoado de duendes, fadas, fantasmas e bruxas, terminou oferecendo uma literatura que se beneficia e antecipa o desenvolvimento científico da época.

SÉCULO XX. ESPLENDOR DO LIVRO INFANTIL

A literatura infantil adquire, por fim, autonomia. A psicologia da criança, seus interesses e suas vivências são levados em conta pelos escritores que elaboram muito mais seus personagens, dão-lhes vida interior e os fazem crescer ao longo da obra.

Em época mais recente, numerosos escritores de todo o mundo souberam agradar o gosto do público infanto-juvenil, e chegaram a criar autênticos sucessos universais, como Selma Lagerlöf, Prêmio Nobel de Literatura, com As maravilhosas aventuras de Nils Holgersson através da Suécia (1906), e Enid Blyton, uma autora que publicou mais de quatrocentos livros admirados por crianças de todo o mundo.

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