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Miguel Couto

Couto, Miguel

(1864-1934), médico e pesquisador, cuja vida foi dedicada à educação e divulgação dos princípios de higiene e à melhoria das condições da saúde pública.

Nasceu no Rio de Janeiro, em 1º de maio de 1864. Fez o curso secundário no Colégio Briggs. Em 1883, diplomou-se na Academia Imperial de Medicina, onde, em 1898, foi nomeado assistente, por concurso, da cadeira de Clínica Médica, em substituição a Francisco de Castro, a mais notável expressão da cultura médica no fim do século XIX. Nos dois últimos anos do curso médico, foi interno da Santa Casa de Misericórdia. Em 1896, entrou para a Academia Nacional de Medicina, como membro-titular, com o trabalho Desordens funcionais do pneumogástrico na influenza (1896). Em 1901, assumiu a cadeira de professor da Clínica propedêutica na Faculdade de Medicina do Rio de Janeiro. Em 9 de dezembro de 1916, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras.

Dedicou à saúde pública grande parte da sua vida, tendo deixado uma extensa obra nessa área. Em 2 de julho de 1927, ao ser designado presidente honorário da Associação Brasileira de Educação, proferiu conferência com o título: “No Brasil, só há um problema: a educação do povo”, que se transformou em lema da associação na época. Nesse discurso sugeriu a criação do Ministério da Educação, com “dois departamentos: o do ensino e o da higiene”. Em 14 de novembro de 1930, um decreto de Getúlio Vargas, chefe do governo provisório da República, criava “uma secretaria de estado, com a denominação de Ministério da Educação e Saúde Pública, sem aumento de despesa”. O apelo de Miguel Couto começou a dar resultado: em 1932, o famoso “Manifesto dos pioneiros da educação nova” reproduziu o que ele já defendera cinco anos antes: “Na hierarquia dos problemas nacionais, nenhum sobreleva em importância e gravidade o da educação”.

No período de 1914 a 1935, foi presidente da Academia Nacional de Medicina. Em 9 de dezembro de 1916, foi eleito para a Academia Brasileira de Letras. Em 1933, deputado à Assembléia Constituinte, conseguiu aprovar projeto que destinava 10% das rendas da União à instrução popular.

Além dos artigos e monografias científicas, destacam-se entre suas obras publicadas: Diagnóstico precoce da febre amarela pelo exame espectroscópico (1901); Só há um problema: a educação (1927); Lições de clínica médica (1923); Nações que surgem, nações que imergem (1925); e A medicina e a cultura (1932). Morreu no Rio de Janeiro, em 6 de junho de 1934.

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