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A CPI será uma feira de vaidades

 Nossa vida social é movida por outras categorias. Há paranoicos, esquizofrênicos, histéricos - um vasto catálogo de patologias. Vejamos.

A burrice - Nelson Rodrigues dizia que a burrice é uma "força da natureza". Antigamente, os cretinos se escondiam pelos cantos, roídos de vergonha; hoje, andam de fronte alta e peito estufado. Nunca a estupidez fez tanto sucesso. Forrest Gump, o herói idiota do filme, foi o precursor; Bush seguiu-o e se orgulhava de sua ignorância. Uma vez em Yale, ele disse: "Eu sou a prova de que os maus estudantes podem ser presidentes dos USA." E nosso Lula que tem títulos de doutor 'honoris causa', se gabando de não ter lido nada? Inteligência é chato; traz angústia, com seus labirintos. Inteligência nos desampara; burrice consola. A burrice está na raiz do populismo. Para muitos, a burrice é a moradia da verdade, como se houvesse algo de "sagrado" na parvoíce dos pobres, uma 'sabedoria' primitiva que desmascara a mentira "de elite". A burrice é a ignorância em busca de 'sentido'; burrice no poder chama-se "fascismo".

A caretice - O careta é antes de tudo um forte. Está sempre atrás de certezas. Olha o mundo com um olho só e só vê o que já sabia. A caretice é uma posição política. A diversidade da vida é recusada como um desvio, a dúvida como fraqueza. Sua cara é uma careta - daí, o nome-, uma máscara fixa com uma única ideia na mente. Careta odeia novidades, ideias complexas. O careta é linear - tem princípio, meio e fim.

O careta tende mais para o que se chamava de "direita". Mas, há também muitos caretas de "esquerda", que querem uma sociedade sob controle, pois só eles sabem o que é bom para nós, os 'alienados'. Existe até o careta drogado, o 'bicho grilo' chamado "muito louco". Como disse alguém: "Pior que careta, só o "muito louco"...

A incompetência é uma maldição nacional, secular. Existe mais na chamada "esquerda" do que entre os "neoliberais". Os "ideológicos" não se interessam por nada prático, administrável, que chamam de 'epifenômenos' menores. Nada mais chato para eles do que a realidade, apesar de falarem nela o tempo todo. A realidade brasileira para eles é um delírio, com meia dúzia de "contradições" óbvias. Antigamente, era 'latifúndio, burguesia nacional e imperialismo'. Agora, é a tentativa de tomar o Estado por dentro da democracia, instalando 'companheiros' oriundos da massa pelega no poder para fazer uma revoluçãozinha vulgar. Eles dizem que a 'competência' é perigosa porque pode ocultar uma política de direita, mascarar "táticas" do capitalismo. Leram um negocinho do Heidegger sobre a 'técnica' e usam-no para justificar suas trapalhadas gerenciais.

Mas, há mais...

A liberdade é outra doença que nos rói. Por um lado, é um ar puro que amamos depois de 21 anos de ditadura; por outro, provoca vertigens em gente que prefere a submissão. Poderosos sempre falam em democracia, mas muitos planejam impedir que a sociedade julgue o país. Se a crise nos atingir, a patuleia também vai sonhar com um bom tirano, um guia. De resto, a liberdade pode virar um vulgar produto de mercado - celebridades saltitantes e livres dentro de um chiqueirinho de irrelevâncias: o sucesso sem trabalho, o marketing sexual, bundas querendo subir na vida, próteses de silicone na alma.

Imaginação falta-nos também. Não há. Na política, ela é vista como desvio da norma, como perigosa utopia que atrapalha a muralha patrimonialista que nos rege. Imaginação é considerada demagogia ou espetáculo barato. No Brasil, a política do espetáculo foi inventada por Jânio Quadros; Lula foi um bom aluno. Na CPI veremos shows esfuziantes.

O "passadismo rancoroso" é praticado por muitos esquerdistas renitentes. Vivem a nostalgia de heranças malditas, ossadas do Araguaia e nenhum projeto claro para o futuro, como se a vida social de hoje fosse a decadência de um passado que estava certo. Nacionalismo e terceiro-mundismo nascem daí: fome de voltar para a taba ou para o casebre com farinha, paçoca e violinha.

A preguiça é um dos cacoetes mais comuns. Administrar dá trabalho. A burocracia nos defende da 'urgência', da 'emergência', ritmos desconhecidos entre nós, criando a vida pública em câmera lenta, onde a única coisa que acontece é que não acontece nada.

A vaidade também será visível na CPI, nos bigodes e cabelos acaju ou negros como a asa da graúna, visível também no amor ao luxo cafajeste de batucada em restaurantes de Paris, lanchas, vinhos de dez mil dólares e prostitutas em cargos de confiança.

A amizade é outro vício comum, que enlaça cinturas de jaquetões e batuca palmadinhas nas costas, justificando presentes de geladeiras, carrões e bilhões roubados.

Mas, há mais... há mais... Temos os egoístas, os psicopatas (muito em moda...), os "fracassomaníacos", temos as imensas multidões dos "babacas" (serei um deles?...), comandados pelos boçais, cafajestes, oportunistas, ladrões de todas as cores.

De modo que não podemos nos contentar com a velha dualidade "direita/esquerda". O mundo é muito mais vasto, oh "raimundos" e vagabundos!...

E mais - não podemos esquecer os batalhões que crescem a cada dia, os exércitos invencíveis: a brilhante plêiade dos "F.D.P.'s".

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