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11 de Fevereiro de 1979 - Revolução Islâmica no Irã

1 INTRODUÇÃO

Irã, república do sudoeste da Ásia, limita-se ao norte com a Armênia, o Azerbaijão, o Turcomenistão e o mar Cáspio, a leste com o Afeganistão e Paquistão, ao sul com o golfo de Omã, o estreito de Ormuz e o golfo Pérsico e a oeste com o Iraque e a Turquia. Tem 1 milhão 648 mil km2 de extensão territorial. Até a década de 1930, o Irã era conhecido pelo nome de Pérsia. A capital é Teerã.

2 TERRITÓRIO

O Irã caracteriza-se por ter um planalto central contornado por montanhas em quase toda sua extensão. Até o norte, estendendo-se em paralelo à costa sul do mar Cáspio, encontram-se os montes Elburz. Ao longo da fronteira ocidental, erguem-se os montes Zagros, que se estendem para o sudeste até atingir a região que margeia o golfo Pérsico. Além da estreita planície litorânea, a única zona relativamente plana é a planície de Khuzistão, a oeste.

Dois grandes desertos ocupam grande parte do centro do Irã: o Dasht-i-Lut, coberto por areias e rochedos, e o Dasht-i-Kavir, coberto de sal em algumas partes.

O Irã pode ser dividido climaticamente em três grandes regiões: as costas do golfo Pérsico e o golfo de Omã, extremamente quentes; as terras altas centrais, de temperatura moderada, porém áridas; e as terras extremamente frias dos montes Elburz.

3 POPULAÇÃO E GOVERNO

Cerca da metade da população (46%) é persa e descende dos povos indo-europeus que chegaram no II milênio a.C. O restante da população é composto por azeris (17%), curdos (9%), gilanis, lumis, mazandarais, baluquis, árabes e baktiaris.

A população, em 2001, é de 66.128.965 habitantes e a densidade média, de 40 habitantes por quilômetro quadrado. As principais cidades são: Teerã, com 6.475.527 habitantes (1991), Mashhad e Isfahan.

O idioma oficial é o persa moderno ou farsi, uma língua indo-iraniana (ver Língua persa; Literatura árabe; Literatura persa).

A religião oficial é o xiismo, uma crença islâmica seguida por 94% da população. Os muçulmanos sunitas constituem 8%, existindo ainda comunidades menos desenvolvidas de cristãos, judeus, zoroastristas e bahais (ver Arte e arquitetura do Irã).

A Constituição de 1979 instaurou a República Islâmica, onde os preceitos do Islã são a base das relações sociais, políticas e econômicas. Um dirigente religioso chamado de faqih, supervisiona a atividade do governo. O presidente, eleito por sufrágio, comanda o poder executivo, além de ser o chefe do estado. O poder legislativo é exercido por um parlamento unicameral chamado Majlis.

4 ECONOMIA

Em 1999, o produto interno bruto era de 110,79 bilhões de dólares e o PIB per capita 1.760 dólares. A moeda é o rial.

Os principais cultivos são: trigo, batata, cevada, uva e arroz. Há também uma importante criação de gado.

Mesmo que a pesca comercial seja relevante para a economia, ainda não se desenvolveu completamente. O caviar do Irã é considerado um dos melhores do mundo.

O país se destaca pela produção de petróleo e seus principais campos petrolíferos estão entre os mais ricos do mundo.

A atividade industrial se concentra na indústria petroquímica, têxtil, de alimentos, fabricação de equipamentos eletrônicos, material de construção, siderurgia do aço e fabricação de veículos.

5 HISTÓRIA

A derrota do império sassânida pelos árabes significou uma mudança definitiva para o Irã. Seu território foi incorporado ao Califado, que era regido, inicialmente, em Medina e, mais tarde, em Damasco e Bagdá. A partir desse momento, o Irã seria uma nação muçulmana.

Em meados do século XI, os turcos selêucidas conquistaram o Irã, que passou a ser dominado nos séculos subseqüentes pelos mongóis, sob o comando de Gengis Khan e Tamerlão e, finalmente, pelos turcomanos. O poder turcomano terminou com Ismail I, que foi proclamado xá, marcando o início da dinastia safávida (1502-1736) e o estabelecimento da doutrina xiita como religião oficial do Irã. O reinado de Ismail se caracterizou por um conflito com o império otomano que só acabaria um século depois com a conquista de Bagdá, em 1623, pelo xá Abbas I, o Grande. No decorrer do século seguinte, o Irã iniciou uma lenta decadência, até que, em 1722, o país foi conquistado por um exército de afegãos sunitas liderados por Mir Mahmud.

Aproveitando a confusão existente no Irã, a Rússia e a Turquia fizeram um acordo para desmembrar o país. Um exército nacional iraniano, liderado pelo caudilho que expulsou os afegãos em 1729 e que, em 1736, tomou posse com o nome de Nadir Xá, expulsou os russos e os turcos, terminando com a ocupação estrangeira em território iraniano. Nadir Xá reinou entre os anos 1736 e 1747.

Os séculos XIX e XX testemunharam a luta entre a Grã-Bretanha e a Rússia pela hegemonia sobre o Irã. O aumento do poder estrangeiro e a fraqueza e a corrupção dos governantes provocaram, no início do século XX, o aparecimento de um movimento nacionalista que reivindicava o estabelecimento de um governo constitucional. Em 1906, o xá Muzaffar al-Din, que reinou entre os anos 1896 e 1907, foi obrigado pela população a convocar a primeira Assembléia Nacional. Essa Assembléia tinha o objetivo principal de redigir uma constituição de cunho liberal.

Apesar da neutralidade do Irã na Primeira Guerra Mundial (1914-1918), seu território foi testemunha de várias batalhas pelo controle dos campos de petróleo entre as forças aliadas da Rússia, da Grã-Bretanha e da Turquia. Reza Pahlevi estabeleceu um novo governo independente através de um golpe de estado e, em 1925, foi proclamado xá. Durante seu reinado, o sistema judiciário foi modificado, iniciou-se um programa de ocidentalização, os direitos feudais acabaram e começou um programa de modernização da economia do país a longo prazo.

Na Segunda Guerra Mundial, a Grã-Bretanha e a URSS ocuparam algumas áreas do país para proteger os campos petrolíferos de uma provável incursão alemã. Os aliados assumiram o controle do sistema de comunicações do Irã e Reza Pahlavi, que simpatizava com os interesses do Eixo, abdicou.

Seu filho, xá Mohamed Reza Pahlevi, lhe sucedeu no trono, adotando uma política favorável aos aliados e concordando com as reformas liberais que o parlamento queria impor.

Em 1943, o governo iraniano protestou por causa do total isolamento a que foi submetida a zona de ocupação por parte da URSS. Essa disputa foi resolvida na Conferência de Teerã, onde surgiu a Declaração sobre a independência, a soberania e a integridade territorial do Irã.

As grandes dificuldades econômicas que surgiram na primeira metade de 1950 geraram uma grave crise política. O general Ali Razmara assumiu o cargo de primeiro-ministro. Sua política conseguiu melhorar a situação econômica do país, mas ele se opôs radicalmente à nacionalização da indústria do petróleo. Foi assassinado em 1951.

Mohamed Hidayat Mossadegh o sucedeu no cargo como dirigente do Partido da Frente Nacional. Defendeu também a nacionalização das empresas de petróleo.

Em 1953, o Majlis ampliou os poderes ditatoriais de Mossadeg, mas, logo depois, os dois poderes entraram em conflito por causa da repercussão internacional da nacionalização das companhias petroleiras, em sua maioria inglesas. O mandatário dissolveu a câmara de deputados e o xá, que se opunha a muitas das medidas adotadas, o destituiu. Mossadegh negou-se a abandonar o cargo e seus seguidores levantaram-se contra a monarquia, obrigando Reza Pahlevi a partir para o exílio. No entanto, o boicote econômico das potências ocidentais e a aceitação de uma aliança com a União Soviética enfraqueceram a posição de Mossadeg. Após a vitória dos partidários do xá, conseguida com a ajuda dos serviços secretos ingleses e norte-americanos, o general Fazlollah Zahedi foi nomeado primeiro-ministro e começou a governar.

O xá aumentou o controle sobre o governo, mantendo uma estreita aliança com os Estados Unidos. Em 1960, o Irã reconheceu o estado de Israel, dificultando as relações como o Egito. Por esse motivo, a Liga Árabe estendeu ao Irã o boicote que exercia contra Israel.

A coroação oficial do xá foi celebrada em 1967, embora já estivesse na direção do país há 26 anos. No momento da coroação, o poder do xá era quase absoluto e pretendia estabelecer uma política exterior mais independente dos Estados Unidos, estreitando relações com os países do Leste enquanto se aproximava do mundo árabe, com exceção do Iraque, com o qual disputava territórios.

Apesar da prosperidade na década de 1970, devida, em grande parte, aos lucros do petróleo, a oposição ao xá foi se generalizando, incentivada por dirigentes religiosos conservadores. Em 1978, produziram-se distúrbios em várias cidades do Irã, liderados por xiitas, fundamentalistas islâmicos que pretendiam que a nação fosse regida pela sharia ou lei islâmica. Esses distúrbios eram comandados de Paris pelo aiatolá Ruhollah Khomeini, exilado desde 1963. A repressão levada a cabo pela polícia secreta, com uso freqüente de tortura e prisões arbitrárias, deu maior impulso à resistência que, rapidamente, insuflada nas mesquitas pelos sacerdotes, virou uma revolução. A nomeação de um primeiro ministro moderado foi feita tarde demais e Mohammed Reza Pahlevi teve que abdicar e deixar o país.

Após a derrota do xá, Khomeini, apoiado pelo clero xiita e por amplos setores da população, liderou a instauração de uma república islâmica. Em 1979, foi aprovada uma nova constituição e, em janeiro de 1980, celebraram-se eleições para um novo presidente. O fundamentalista Muhammad Ali Rajai foi nomeado primeiro-ministro. Enquanto isso, algumas minorias étnicas do Irã, como os curdos do oeste, os azeris do norte e os árabes do Khuzistão deflagraram uma guerra para lutar por sua autonomia. Em setembro de 1980, o Iraque exigiu a autonomia para a minoria árabe. Quando o Irã rejeitou essas demandas, o Iraque invadiu o Irã, iniciando a Guerra Irã-Iraque.

Em 1981, o Parlamento fundamentalista e o primeiro-ministro Rajai derrotaram o presidente Bani Sadr, que foi destituído do cargo, substituído por Rajai na presidência. Após as eleições gerais de outubro, Ali Kamenei tornou-se o terceiro a ocupar a presidência da República nesse mesmo ano, enquanto Husein Musavi era eleito primeiro-ministro.

Quando Khomeini morreu, em 1989, o presidente Kamenei o sucedeu no cargo como Guia da Revolução (equivalente à chefia de estado no Irã, desde a revolução). Hashemi Rafsanjani foi eleito presidente. O Irã condenou tanto a invasão iraquiana no Kuwait durante a Guerra do Golfo Pérsico quanto o posterior deslocamento de tropas dos Estados Unidos na Arábia Saudita, mas reatou as relações diplomáticas com o Iraque que, por sua vez, renunciou às suas pretensões territoriais no Irã. A facção que apoiava Rafsanjani conseguiu a maioria no Parlamento em 1992 e ele mesmo foi reeleito em junho de 1993.

Nos anos seguintes, o Irã, acusado pelos Estados Unidos de ser o promotor do terrorismo internacional, sofreu um verdadeiro cerco econômico e diplomático, vendo reduzirem-se os investimentos estrangeiros e sofrendo um embargo econômico semelhante ao que afetava países como Cuba ou Líbia. Contudo, a insistência em posturas radicais, como a condenação à morte do escritor Salman Rushdie, a repressão das minorias nacionais e a segregação das mulheres, reduziu muito qualquer apoio internacional que o país pudesse ter. Em 1997, o governo iraniano foi responsabilizado pelo assassinato de quatro militantes nacionalistas curdos na Alemanha pela Suprema Corte de Berlim.

Nas eleições parlamentares de 1996, a Sociedade do Clero Iraniano, partido dos aiatolás, perdeu a maioria no Parlamento. Nas eleições presidenciais de maio de 1997, o moderado Sayed Mohammad Khatami teve apoio popular para enfrentar e derrotar Ali Nateq Nouri, candidato dos religiosos de direita. O governo de Khatami não tem sido fácil, devido à oposição dos radicais xiitas e da direita clerical, mas tem tido êxito em melhorar a imagem externa do país. Em setembro de 1998, garantiu que seu governo não tomará qualquer medida para fazer cumprir a pena de morte contra Rushdie, ainda que não tenha poderes para revogá-la, e, em dezembro, fez uma visita à Itália durante a qual manteve uma histórica entrevista com o papa João Paulo II.

Em fins de fevereiro de 1999, seus partidários obtiveram uma considerável vitória nas primeiras eleições municipais realizadas desde a revolução islâmica, vencendo nas maiores cidades e obtendo a totalidade dos cargos no Conselho Municipal de Teerã. Entretanto, o aspecto mais importante da derrota eleitoral dos aiatolás foi que, dos 200 mil cargos municipais em disputa, 4 mil foram preenchidos por mulheres, que tinham sido duramente segregadas desde os tempos de Khomeini.


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