Pular para o conteúdo principal

Entrevista do Bimestre: Steve Crocker

O sr. estava no grupo que fez a primeira conexão da Arpanet. Como foi isso?
A Arpanet começou com quatro lugares. O primeiro deles foi a UCLA e eu fazia parte do grupo na UCLA. Com outros colegas, trabalhamos no primeiro conjunto de protocolos e em todo processo de criar protocolos.
Por que a Arpanet foi criada?
O Departamento de Defesa dos Estados Unidos tinha muitos computadores de uso militar e eles tinham a necessidade de transferir informações de um para outro. Experimentos anteriores, com dois ou três computadores, não foram muito bem. Eles sabiam que tinham de continuar tentando para conseguir algo que funcionasse razoavelmente bem. A Arpanet foi um esforço para conectar tipos diferentes de computadores. Uma coisa importante é que os computadores eram fabricados por empresas diferentes e tinham sistemas operacionais diferentes. Os computadores estavam em lugares diferentes e eram gerenciados por organizações diferentes. Sabíamos que era importante conectar esses computadores e havia vários motivos para haver troca de dados entre os projetos. Havia um propósito geral de ser usado por diferentes projetos. Eles pegaram essa ideia geral de conectar os computadores e deixaram em aberto, para quem fosse usar, a maneira como a rede seria usada.
Por que era difícil conectar esses computadores e como vocês resolveram o problema?
Era difícil de conectar esses computadores por dois motivos. Do ponto de vista de hardware, os computadores naquela época não vinham com nenhum tipo de conexão. Hoje, quando você compra um computador, existe todo tipo de conexão, conexões para internet, USB e assim por diante. É fácil fazer os computadores trabalharem juntos. Eles estão todos prontos para ser conectados em rede. Naquela época, não havia uma maneira fácil de conectá-los, mesmo que eles fossem do mesmo fabricante. É como se cada um deles fosse uma ilha. Esse era o problema de hardware. O problema de software era que não havia programas para transferir informações de um computador para outro. Tivemos de começar de uma folha em branco. O problema de hardware foi resolvido de uma maneira relativamente fácil, mas o problema de software era complexo, porque os computadores falavam linguagens diferentes, tinham maneiras diferentes de codificar a informação. Tivemos de fazer alguma tradução de um para outro.
Em um texto publicado no ano passado, o sr. destacou a importância do governo na criação da internet. Poderia falar mais a respeito?
Era um ambiente muito especial. A parte do governo que criou a Arpanet era a Darpa, originalmente chamada Arpa, que quer dizer Agência de Projetos de Pesquisa Avançados (Advanced Research Projects Agency, em inglês). É uma pequena parte do governo que financia pesquisa, em uma variedade de diferentes áreas. Já havia bastante pesquisa em ciência da computação. Como construir computadores melhores e mais rápidos. Como torná-los mais inteligentes. Havia trabalhos em inteligência artificial, em compreensão da fala, em grandes bancos de dados, em gráficos avançados, em arquiteturas de multicomputadores, para construir supercomputadores. E esses trabalhos estavam acontecendo em diversos laboratórios, ao redor dos Estados Unidos, em universidades e em companhias sem fins lucrativos ou de pesquisa. Nesse ambiente, a Arpa decidiu criar essa rede experimental, chamada Arpanet, que iria conectar os laboratórios já existentes. A parte importante é que eles financiavam pesquisa em todos esses laboratórios e diziam: você será conectado, isso não se discute, mas não terá de pagar nada por isso e não haverá competição. Diferentemente de um empreendimento comercial, ninguém precisava se preocupar com a maneira de se fazer dinheiro a partir daquilo. Ninguém precisava se preocupar se outras pessoas estavam saindo na frente. Foi uma experiência muito colaborativa, no lugar de ser uma experiência competitiva. Nesse caso, o ponto essencial foi o financiamento governamental.
Como o sr. vê a situação da internet hoje? Conseguiria imaginar, alguns anos atrás, como ela se tornaria importante?
Respondo bastante essa pergunta, como você pode imaginar. Às vezes eu brinco que tudo está acontecendo exatamente como foi planejado. Mas deixe-me dar uma resposta mais séria. Como a rede foi criada para conectar lugares em que se pesquisava o futuro da ciência da computação, podíamos enxergar bastante à frente. Você deve ter visto que Douglas Engelbart, o inventor do mouse, morreu há alguns dias. Ele era o responsável pelo segundo ponto conectado à Arpanet, na SRI (sigla em inglês de Instituto de Pesquisa de Stanford), e eu estava na UCLA, o primeiro ponto. No laboratório dele, vimos o mouse e todos os trabalhos que ele estava fazendo, e isso foi em 1968. Conseguíamos ver o que ainda não estava comercialmente disponível para todo mundo. Víamos a direção futura e a única grande questão era quanto tempo ia levar.
O sr. pode falar mais sobre a importância de Engelbart?
Muitos de nós que o conhecemos, e que fizemos parte da comunidade de que ele participou, estivemos pensando na sua morte nos últimos dias. Na época, na comunidade de pesquisadores, houve várias pessoas que receberam muito mais atenção, porque estavam fazendo computadores maiores ou o que parecia ser pesquisa mais profunda. O impacto do trabalho de Engelbart pode ser comparado ao de qualquer outro. Seu trabalho levou ao que foi desenvolvido no Parc (Centro de Pesquisas de Palo Alto, na sigla em inglês), da Xerox, e depois à criação do Macintosh, e se tornou a principal forma de interagir com o computador para todo mundo.
O Macintosh é de 1984. Na sua opinião, por que demorou tanto tempo?
O tempo foi surpreendentemente longo das ideias iniciais até um uso bem difundido. Dependendo da tecnologia, de 20 a 30 anos é um ciclo típico. Isso pode parecer estranho, porque tudo parece acontecer de repente na internet, mas de fato existe um período de tempo em que as ideias são trabalhadas nos laboratórios até se transformarem em produtos, tipicamente é um longo tempo até se tornarem comuns.
O sr. poderia contar como foi a criação do Request For Comments?
Naquele período inicial, quando reunimos pessoas de diferentes laboratórios, primeiro nos encontramos várias vezes, durante um período de vários meses, de agosto de 1968 até março de 1969. Tivemos muitas discussões sobre como a rede funcionaria e sobre como faríamos isso. Em março de 1969, decidimos que seria melhor começar a escrever quais eram nossas ideias, e me ofereci como voluntário para escrever e organizar as ideias. Fiquei preocupado que, se escrevesse essas anotações de maneira errada, poderia parecer que estava querendo assumir uma autoridade, e parecer mais importante do que era. Porque era um estudante de pós-graduação e ninguém me havia tornado responsável por nada. Quis deixar claro que as anotações procuravam refletir nossas ideias, mas que não estava dizendo que essa era a única maneira que poderia ser feita. Foi um truque, de certa forma, de classificar tudo como pedido de comentários, para acertar o tom e deixar claro que todos estavam convidados a aceitar as ideias ou não, a escrever respostas para elas, acrescentar coisas novas ou modificá-las. O primeiro RFC foi impresso em papel e enviado por correio convencional.
Como o sr. vê o futuro da internet?
Eu diria duas coisas. Hoje, existem cerca de 2,5 bilhões de usuários, um pouco menos de metade da população do mundo. Uma das coisas que eu espero que aconteça é o aumento do uso da internet até que praticamente todo mundo no planeta seja usuário. Outra coisa seria o seguinte: atualmente, somos bem cientes do uso da internet, de quando estamos conectados à internet. Acho que, no futuro, todos estarão conectados, mas sem pensar sobre ela. A visibilidade ou a percepção da internet vai ficar em segundo plano. Todo mundo usa a eletricidade, mas ninguém fala muito a respeito.

Comentários

Postagens Mais Lidas

Chave de Ativação do Nero 8

1K22-0867-0795-66M4-5754-6929-64KM 4C01-K0A2-98M1-25M9-KC67-E276-63K5 EC06-206A-99K5-2527-940M-3227-K7XK 9C00-E0A2-98K1-294K-06XC-MX2C-X988 4C04-5032-9953-2A16-09E3-KC8M-5C80 EC05-E087-9964-2703-05E2-88XA-51EE Elas devem ser inseridas da seguinte maneira: 1 Abra o control center (Inicial/Programas/Nero 8/Nero Toolkit/Nero controlcenter) nunca deixe ele atualizar nada!  2 Clic em: Licença  3 Clica na licença que já esta lá dentro e em remover  4 Clica em adcionar  5 Copie e cole a primeira licença que postei acima e repita com as outras 5

Papel de Parede 4K

literatura Canadense

Em seus primórdios, a literatura canadense, em inglês e em francês, buscou narrar a luta dos colonizadores em uma região inóspita. Ao longo do século XX, a industrialização do país e a evolução da sociedade canadense levaram ao aparecimento de uma literatura mais ligada às grandes correntes internacionais. Literatura em língua inglesa. As primeiras obras literárias produzidas no Canadá foram os relatos de exploradores, viajantes e oficiais britânicos, que registravam em cartas, diários e documentos suas impressões sobre as terras da região da Nova Escócia. Frances Brooke, esposa de um capelão, escreveu o primeiro romance em inglês cuja ação transcorre no Canadá, History of Emily Montague (1769). As difíceis condições de vida e a decepção dos colonizadores com um ambiente inóspito, frio e selvagem foram descritas por Susanna Strickland Moodie em Roughing It in the Bush (1852; Dura vida no mato). John Richardson combinou história e romance de aventura em Wacousta (1832), inspirada na re...

PLANETA CASSETA

  Sucesso na TV, no cinema, nas livrarias... Os sete malucos mais engraçados do Brasil estão rindo e fazendo rir à toa. Conheça a saga completa da gangue, os melhores produtos Tabajara e penetre (no bom sentido, é claro) nos bastidores do programa Eles são feios. Eles são atrapalhados. Eles não pegam ninguém. Mas uma coisa não dá para negar: quando a missão é fazer rir, os sete cassetas são os reis do negócio. Negócio, aliás, que ganhou corpo e foi crescendo, crescendo... Eles adoraram, mas juram que são espadas. Toda terça-feira, as piadas de duplo sentido do Casseta & Planeta Urgente! conquistam mais de 60% da audiência do horário. O site do grupo recebe 750 mil visitantes por mês, os livros publicados pela trupe já venderam mais de 300 mil exemplares e a estréia nas telonas com A Taça do Mundo É Nossa atraiu 800 mil espectadores. Isso sem fala...

O TAO DO SEXO

Conta-se que, ao distribuir as características que distinguiriam os homens das mulheres (e vice-versa), Deus teria perguntado: "Tenho aqui duas qualidades sensacionais. Quem gostaria, por exemplo, de fazer xixi em pé?" Os homens gritaram em uníssono: "Eu, eu, eu!" O Criador concordou, sorrindo, e disse: "Tudo bem, então. As mulheres ficam com os orgasmos múltiplos..." Essa piada engraçadinha resume o que todo mundo acha que sabe que orgasmo múltiplo é coisa para mulher e o prazer fulminante (seis segundos, no máximo) é característica do homem. E se não for assim? E se o homem for capaz de ter vários orgasmos em um mesmo encontro, mantendo durante horas seu pênis ereto? Pois bem, isso é possível, sim. Essa verdadeira pepita de ouro do prazer sensual é conhecida por poucos felizardos no Ocidente, mas faz parte da sabedoria do Oriente e lá é praticada por milhões de pessoas. Nós é que, nesses assuntos, parece que sempre pegamos o bonde andando. Fiz uma rápida...

Catuaba é pior bebida brasileira em ranking de site; cachaça vem em seguida

  E dá-lhe caju nesta lista! Esse drinque que teria surgido no balcão do lendário bar e restaurante Pandoro, em São Paulo, em 1974,   teria sido um dos favoritos de Chacrinha e Hebe Camargo, além de banqueiros e empresários paulistanos . Mas o mix de suco da fruta com cachaça — justamente dois elementos não tão bem avaliados na plataforma — acabou não conquistando um público mais amplo. Como a lista foi elaborada? O time da enciclopédia esclarece  que sua metodologia leva em consideração avaliação do público gastronômico internacional, por meio de votos em seu site, que são filtrados para eliminar palpites potencialmente ligados a bots ou "nacionalistas". Ainda segundo o Atlas, seu sistema dá peso maior às avaliações de usuários que já reconhece como "conhecedores" de gastronomia. Para a eleição das piores bebidas e comidas brasileiras — que foram avaliadas conjuntamente, mas renderam listas separadas —, 7.014 avaliações foram enviadas até 18 de novembro de 2023, se...