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Psicologia da Gestalt

 

Surgida como reação ao elementarismo associacionista do século XIX, a teoria da Gestalt enfrentou-se à afirmação segundo a qual a psicologia devia considerar analiticamente o fenômeno psicológico, decompô-lo em suas partes, chegar ao elemento básico e, a partir deste, formular teorias explicativas dos mecanismos psicológicos.
A psicologia da forma, ou Gestalt (termo alemão que significa configuração, forma ou estrutura) se fundamenta na moderna teoria da percepção, segundo a qual um dado é percebido como totalidade organizada e o todo tem características que não podem ser inferidas das partes isoladamente.

História

Em 1890, o psicólogo austríaco Christian von Ehrenfels provocou um sério abalo na teoria psicológica associacionista ao demonstrar teoricamente que uma forma é mais que a simples soma das partes que a integram. Exemplificou com uma melodia, que se compõe de sons, e com uma figura, integrada por linhas e pontos. Em 1912, Max Wertheimer publicou os resultados de um trabalho experimental sobre a percepção que foi considerado o marco inicial da escola psicológica da Gestalt. Sua pesquisa consistiu em exibir objetos estáticos em rápida seqüência, de modo a produzir no observador ilusão de movimento, que ele chamou phi-fenômeno. O experimento demonstrou que a percepção se dá em relação ao todo e não quanto às partes que o integram. Assim, Wertheimer estabeleceu o estudo da percepção como ponto de partida do gestaltismo, ou psicologia da forma, baseado na premissa segundo a qual uma totalidade é determinada por leis que lhe são próprias.


Princípios fundamentais

As funções psicológicas, como memória, percepção, inteligência e emoções foram estudadas pela Gestalt de acordo com os seguintes princípios:

(1) princípio da pregnância, ou lei da boa forma, que expressa a tendência de cada estrutura de organizar-se psicologicamente da melhor maneira possível, segundo uma forma tão completa e perfeita quanto as condições o permitam;

(2) lei da boa continuidade, segundo a qual os elementos de um conjunto tendem a acompanhar uns aos outros, de maneira a favorecer a continuidade de uma linha ou de um movimento e a atingir a forma estruturalmente mais estável;

(3) lei da simetria, que estabelece que os agrupamentos simetricamente organizados tendem a ser mais facilmente perceptíveis do que os agrupamentos assimétricos;

(4) lei do fechamento, que expressa a tendência de formas imperfeitas ou incompletas de virem a se fechar ou completar para alcançar maior grau de regularidade ou estabilidade;

(5) lei do destino comum, que expressa a preferência pelo agrupamento de elementos que se movem ou se transformam numa direção comum;

(6) princípio da proximidade, segundo o qual os estímulos de maior proximidade espacial ou temporal tendem a ser agrupados;

(7) princípio da semelhança, que diz que em condições iguais, os estímulos mais semelhantes entre si, seja pela cor, tamanho, forma ou outra característica, mostram tendência a agrupar-se.


Novos rumos

Nas décadas de 1930 e 1940, os princípios da psicologia da forma estenderam-se a novos domínios, como a motivação, a psicologia social, a estética e a economia. Os principais nomes ligados a essa generalização das idéias da Gestalt foram Kurt Lewin, Solomon Asch, Rudolph Arnheim e George Katona. Esse novo rumo, no entanto, determinou o fim da Gestalt como escola psicológica, pela fusão com outras idéias da época, sem que se negasse a importância de sua existência e o valor científico de suas descobertas e a influência na história da psicologia.


©Encyclopaedia Britannica do Brasil Publicações Ltda.

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