Pular para o conteúdo principal

Gastronomia no Brasil

INTRODUÇÃO

Gastronomia no Brasil é, o conjunto das receitas e os hábitos alimentares que, como acontece em outros âmbitos da vida brasileira, revela mais uma vez o fenômeno da mestiçagem. Com efeito, a gastronomia brasileira incorpora, com temperos próprios, receitas indígenas, africanas e portuguesas, muitas vezes mesclando-as e criando um novo prato. Pode-se citar, como exemplo, a caldeirada portuguesa que, enriquecida com leite de coco e azeite de dendê, transformou-se na típica moqueca. Na opinião do escritor francês Blaise Cendrars, a cozinha brasileira é uma das mais ricas do mundo, perdendo em variedade e sofisticação apenas para as cozinhas francesa e chinesa. Segundo Cendrars, a gastronomia brasileira ainda leva a vantagem de ser a síntese de três raças e três culturas diferentes.

INFLUÊNCIA INDÍGENA

Dos indígenas herdamos, principalmente, a mandioca ou mani oca, palavra que em tupi  significa “casa da madeira”. Reza a lenda que este nome tem origem na morte, por inanição, de um menino. Sua mãe enterrou-o e, à noite, recebeu a visita do “espírito da madeira” que transformou o corpo do menino nas raízes de uma planta capaz de impedir que outros índios enfrentassem o mesmo drama. Também devemos aos nativos o gosto por caju, palmito, cambuquira, taioba, tamarindo, pitanga, sapoti, jabuticaba, jambo e muitas outras frutas. O sistema agrícola indígena foi assimilado pelo caboclo que hoje vive na região amazônica. Praticando uma agricultura de subsistência, estes caboclos continuam a conservar o peixe e a carne mergulhados em gordura animal e em potes de barro bem fechados, exatamente como faziam os índios no passado.

INFLUÊNCIA AFRICANA

No Brasil colonial, as escravas africanas eram as responsáveis pela cozinha. Os negros introduziram em nossa culinária a feijoada, o mais típico dos pratos nacionais, a pimenta malagueta, o azeite-de-dendê, o camarão seco, o inhame, o quiabo e várias ervas utilizadas para condimento. A cozinha africana chegou até nossos dias e ainda pode ser apreciada, quase em sua forma original, nos pratos de santo dos rituais de candomblé.

INFLUÊNCIA PORTUGUESA

Dos portugueses, recebemos o toque da cozinha européia. A eles devemos a maior parte de nossas receitas básicas: o cozido de apreciação nacional, as especiarias, as frutas cítricas e os doces secos. O português ensinou ao brasileiro a consumir trigo, arroz, carne de boi, carneiro, porco, bacalhau, sopas, caldos, frutas (romã, marmelo, figo, amora, pêssego, cereja, manga) e hortaliças (alface, repolho, acelga, nabo).

No livro Açúcar, Gilberto Freyre acrescenta os doces feitos pelas freiras como parte da herança portuguesa, recebida por sua vez dos mouros. “O cosmopolitismo dos portugueses do século XVI serviu para enriquecer a mesa dos seus reis, dos seus bispos, dos seus fidalgos, de suas abadessas, de gulodices que só depois se propagaram por outros reinos. O cuscuz dos árabes, por exemplo. (...) Outros quitutes com aparência de brasileiros são franceses e refletem o francesismo que desde o século XVIII invadiu a cozinha portuguesa: a cabidela, por exemplo. A galinha de molho pardo”.

PRATOS REGIONAIS

No Amazonas, os pratos típicos são mixira (peixe-boi, tartaruga ou anta assados na própria banha e conservados em pote de barro bem fechado), mujanguê (mingau de ovos de tartaruga e farinha mole), paxicá (picadinho de fígado de tartaruga com sal, pimenta malagueta e limão), maniçoba (folhas socadas, cheiros, língua de vaca, cabeça de porco, chouriço e pimenta), caldeirada de pirarucu, sopa de tartaruga e macaco ensopado com inhame.

No Pará, são significativos o tacacá no tucupi (sopa de mandioca com camarão e tucupi, jambu e pimenta de cheiro), pato no tucupi, casquinho de muçuã (tartaruga pequena, temperada e assada na própria casca) e açaí.

São típicos do Ceará, a peixada (espécie de caldeirada), paçoca de carne com banana, carne-de-sol assada com pirão de leite e a cajuína, um refresco de caju.

O peixe é também o alimento mais característico do Rio Grande do Norte. Costuma ser consumido com feijão e farinha de mandioca. Os crustáceos são muito apreciados e, para se adoçar o café, usa-se mel de engenho. A bebida típica deste estado é a samboca, feita de água de coco com açúcar.

Na cozinha típica da Paraíba, estão a buchada de carneiro, o peixe seco com pirão de farinha e leite de coco, além do cuscuz de milho.

Pernambuco destaca-se pelo sarapatel (miúdos e sangue de porco ensopados), a galinha de cabidela e a carne-de-sol com feijão verde, bem como pelos diversos e açucarados doces cuja origem remonta à cozinha das suas casas grandes, como o bolo-de-rolo e o Souza leão.

O prato típico mais famoso de Alagoas é o sururu de capote, um marisco que vive na lagoa de Mundaí e é servido na própria casca.

Em Sergipe faz-se uma sopa, especialidade da região, que lembra as sopas portuguesas. Sua receita leva couve, repolho, cenoura, batata, abóbora e macaxeira. Esta sopa deve ser servida sobre pão frito em gordura.

Os pratos da Bahia, quentes e coloridos, confundem-se com a culinária nacional: vatapá, caruru, moqueca de peixe ou camarão, acarajé, abará e xinxim de galinha, entre dezenas de outros, todos de marcada influência africana.

Na região Sudeste é muito forte a presença da culinária lusitana. Apenas Minas Gerais tem uma cozinha realmente típica. O fato de Minas Gerais ter vivido um longo tempo cercado por tropas portuguesas, para evitar o contrabando do ouro, evitou o intercâmbio da cultura deste estado com a de outros estados. Como conseqüência, a cultura mineira  e, portanto, sua cozinha  é uma das que mais valoriza suas raízes, o que a torna uma das mais autênticas do Brasil. No Rio de Janeiro, capital do Império e da República por tantos séculos, é forte a influência das cozinhas portuguesa e de outros países com os quais o Brasil negociava e dos quais recebeu imigrantes. No Rio, destacam-se a feijoada, o mais típico dos pratos nacionais, e a sopa Leão Veloso. No Espírito Santo é famosa a frigideira capixaba, com peixes, mexilhões e crustáceos. Já em São Paulo apesar da cozinha cosmopolita da capital, com forte influência da tradição italiana e japonesa sobrevivem, no interior, o virado, um prato à base de feijões, e o leitão assado, iguarias degustadas desde os tempos da colonização.

No Sul, colonizado pelos alemães e italianos, são poucos os pratos com gosto nacional, como é o caso do barreado, do Paraná. O Rio Grande do Sul é responsável por um dos mais representativos pratos do Brasil, apreciado em todas as regiões: o churrasco, carne assada no calor da brasa. Também merecem registro o arroz de carreteiro, o mondongo com batatas (dobradinha) e o matambre (carne que cobre as costelas do boi).

Microsoft ® Encarta ® Encyclopedia 2002. © 1993-2001 Microsoft Corporation. Todos os direitos reservados.

Comentários

Postagens Mais Lidas

Chave de Ativação do Nero 8

1K22-0867-0795-66M4-5754-6929-64KM 4C01-K0A2-98M1-25M9-KC67-E276-63K5 EC06-206A-99K5-2527-940M-3227-K7XK 9C00-E0A2-98K1-294K-06XC-MX2C-X988 4C04-5032-9953-2A16-09E3-KC8M-5C80 EC05-E087-9964-2703-05E2-88XA-51EE Elas devem ser inseridas da seguinte maneira: 1 Abra o control center (Inicial/Programas/Nero 8/Nero Toolkit/Nero controlcenter) nunca deixe ele atualizar nada!  2 Clic em: Licença  3 Clica na licença que já esta lá dentro e em remover  4 Clica em adcionar  5 Copie e cole a primeira licença que postei acima e repita com as outras 5

Papel de Parede 4K

literatura Canadense

Em seus primórdios, a literatura canadense, em inglês e em francês, buscou narrar a luta dos colonizadores em uma região inóspita. Ao longo do século XX, a industrialização do país e a evolução da sociedade canadense levaram ao aparecimento de uma literatura mais ligada às grandes correntes internacionais. Literatura em língua inglesa. As primeiras obras literárias produzidas no Canadá foram os relatos de exploradores, viajantes e oficiais britânicos, que registravam em cartas, diários e documentos suas impressões sobre as terras da região da Nova Escócia. Frances Brooke, esposa de um capelão, escreveu o primeiro romance em inglês cuja ação transcorre no Canadá, History of Emily Montague (1769). As difíceis condições de vida e a decepção dos colonizadores com um ambiente inóspito, frio e selvagem foram descritas por Susanna Strickland Moodie em Roughing It in the Bush (1852; Dura vida no mato). John Richardson combinou história e romance de aventura em Wacousta (1832), inspirada na re...

PLANETA CASSETA

  Sucesso na TV, no cinema, nas livrarias... Os sete malucos mais engraçados do Brasil estão rindo e fazendo rir à toa. Conheça a saga completa da gangue, os melhores produtos Tabajara e penetre (no bom sentido, é claro) nos bastidores do programa Eles são feios. Eles são atrapalhados. Eles não pegam ninguém. Mas uma coisa não dá para negar: quando a missão é fazer rir, os sete cassetas são os reis do negócio. Negócio, aliás, que ganhou corpo e foi crescendo, crescendo... Eles adoraram, mas juram que são espadas. Toda terça-feira, as piadas de duplo sentido do Casseta & Planeta Urgente! conquistam mais de 60% da audiência do horário. O site do grupo recebe 750 mil visitantes por mês, os livros publicados pela trupe já venderam mais de 300 mil exemplares e a estréia nas telonas com A Taça do Mundo É Nossa atraiu 800 mil espectadores. Isso sem fala...

O TAO DO SEXO

Conta-se que, ao distribuir as características que distinguiriam os homens das mulheres (e vice-versa), Deus teria perguntado: "Tenho aqui duas qualidades sensacionais. Quem gostaria, por exemplo, de fazer xixi em pé?" Os homens gritaram em uníssono: "Eu, eu, eu!" O Criador concordou, sorrindo, e disse: "Tudo bem, então. As mulheres ficam com os orgasmos múltiplos..." Essa piada engraçadinha resume o que todo mundo acha que sabe que orgasmo múltiplo é coisa para mulher e o prazer fulminante (seis segundos, no máximo) é característica do homem. E se não for assim? E se o homem for capaz de ter vários orgasmos em um mesmo encontro, mantendo durante horas seu pênis ereto? Pois bem, isso é possível, sim. Essa verdadeira pepita de ouro do prazer sensual é conhecida por poucos felizardos no Ocidente, mas faz parte da sabedoria do Oriente e lá é praticada por milhões de pessoas. Nós é que, nesses assuntos, parece que sempre pegamos o bonde andando. Fiz uma rápida...

Catuaba é pior bebida brasileira em ranking de site; cachaça vem em seguida

  E dá-lhe caju nesta lista! Esse drinque que teria surgido no balcão do lendário bar e restaurante Pandoro, em São Paulo, em 1974,   teria sido um dos favoritos de Chacrinha e Hebe Camargo, além de banqueiros e empresários paulistanos . Mas o mix de suco da fruta com cachaça — justamente dois elementos não tão bem avaliados na plataforma — acabou não conquistando um público mais amplo. Como a lista foi elaborada? O time da enciclopédia esclarece  que sua metodologia leva em consideração avaliação do público gastronômico internacional, por meio de votos em seu site, que são filtrados para eliminar palpites potencialmente ligados a bots ou "nacionalistas". Ainda segundo o Atlas, seu sistema dá peso maior às avaliações de usuários que já reconhece como "conhecedores" de gastronomia. Para a eleição das piores bebidas e comidas brasileiras — que foram avaliadas conjuntamente, mas renderam listas separadas —, 7.014 avaliações foram enviadas até 18 de novembro de 2023, se...